Redação - Lugar Certo
Informação sobre produtos e mão-de-obra evita transtornos na hora de construir ou reformar
Dar início ao projeto de reforma ou começar a construir a casa própria traz uma série de expectativas e desperta sentimentos dúbios. De um lado, o entusiasmo natural de concretizar um antigo sonho. De outro, o medo de que algo escape ao planejado e ameace o alicerce das fantasias,atrapalhando planos, inserindo os personagens principais em problemas que vão da contratação de mão-de-obra especializada à aquisição de materiais de construção e acabamento de qualidade. Profissionais e amadores sempre estão à disposição do cliente. Saber separar o joio do trigo é quase uma arte. Uma gama de produtos com tecnologias diferenciadas também é ofertada e é comum estarem atrás de tentadores cartazes com anúncios de promoção. Como é difícil resistir a uma pechincha na tentativa de economizar nos gastos, que não são poucos, muita gente acaba embarcando numa canoa furada. O advogado Lúcio Antônio da Silva e sua mulher, a pedagoga e artista plástica Marilene Magalhães, estão mergulhados no projeto de construção da nova casa para onde pretendem se mudar até o fim do ano. Na hora de comprar os materiais, ele reconhece, o preço é um forte atrativo. Acompanhando de perto o andamento da obra, ele tem aprendido a lição de que, muitas vezes, o barato pode sair caro. Lúcio Antônio revela que, atraído pelo mostruário e pela lábia dos vendedores nem sempre preparados, acabou cedendo à tentação e levou para a obra um piso cerâmico que estava em oferta, cuja propaganda, ele ressalta, chamava a atenção pela qualidade extra. "No mostruário, é tudo perfeito. Na hora de assentar o produto, a história é outra", aprendeu. O plano era usar os 190 metros de cerâmica comprada a R$ 13,82 o metro quadrado para revestir banheiros e garagem. Chegou a assentar 50 metros quadrados e trocou o produto. "As peças tinham tamanhos diferentes e cortes irregulares", reclama.
Contratempos
Quem se apressar a dizer que os problemas são exclusividade de mercadorias mais baratas pode se enganar. O advogado relata que fez outra compra de material, dessa vez levando em consideração a marca e o preço, quase três vezes superior. Também teve problemas. "O produto empenou. Procurei o representante comercial, que só poderia me dar um retorno em 15 dias. Devolvi o item e troquei por um equivalente", afirma. Os contratempos que ameaçam os planos de mudança do casal – que está trocando um apartamento amplo pela casa – também dizem respeito aos profissionais contratados. "São problemas com o prazo de conclusão de serviços e horários. Coisas que não chegam a atrapalhar meu entusiasmo, mas que provocam estresse", admite o advogado.
"Percebo que meu marido está mais ansioso", afirma Marilene. "Ele fica o dia todo por conta da obra. Eu também estou apressada, pois quero ter mais espaço para acomodar meus quadros, montar um ateliê adequado. No apartamento, todos os cômodos já estão tomados pelas minhas telas."
PREÇO NÃO DEVE SER O ÚNICO PARÂMETRO
Problemas referentes à qualidade de materiais, cumprimento de prazos e falhas no atendimento de equipes mal preparadas não atingem apenas o usuário comum. Délerson Baeta, empresário do setor de construção e elevadores, também tem aprendido a escolher melhor os fornecedores para ficar longe das dores de cabeça e não prejudicar a conclusão do projeto em tempo hábil e com qualidade. Atualmente, ele se dedica ao projeto de construir a própria casa, que já está na fase final de acabamento. Assim como nos trabalhos voltados para atender os clientes, Délerson diz que não abre mão de produtos de qualidade. "Em relação aos meus fornecedores, sempre considero três itens fundamentais, que são a competitividade, o prazo de entrega e o atendimento personalizado", destaca em tom de conselho àqueles que não possuem tanta habilidade para lidar com profissionais. Nas duas últimas obras, o empresário mudou de fornecedor, sobretudo, em função do acompanhamento profissional e especializado da equipe. O resultado, segundo ele, reflete diretamente no prazo de conclusão da obra e, nitidamente, na qualidade dos acabamentos. O empresário Henrique Gonçalves Duarte, dono do Studio Cerâmico, não abre mão do investimento na equipe de vendas, gradualmente substituída por profissionais formados em arquitetura e engenharia. Uma estratégia que, segundo ele, aumenta o valor agregado dos produtos, uma vez que são oferecidos exatamente de acordo com a utilização pretendida pelo cliente. "O preço não é o mais importante. Ele deve estar aliado à qualidade do material, ao conhecimento técnico sobre as características específicas do produto e ao prazo de entrega combinado com o cliente", conclui.
SATISFAÇÃO AO ALCANCE DE TODOS
O diretor-comercial da Bel Lar, Adriano Costa Fonseca, concorda que a oportunidade de construir ou reformar a casa própria é um momento único e importante por proporcionar uma satisfação especial para toda a família, ainda que os desgastes, inevitavelmente, ocorram com o trança-trança de trabalhadores da obra dentro de casa. O transtorno, afinal, tem de valer a pena. Por isso ele faz algumas recomendações. "Aproveite o pique gerado pelo entusiasmo para procurar produtos de qualidade, sem se deixar levar pelo primeiro impulso diante de uma oferta tentadora e se arrepender depois", alerta. No entanto, reconhece que é possível encontrar entre os materiais em oferta, com preços chamativos, produtos de qualidade. O engenheiro e arquiteto Carlos Abreu, sócio da Vitra Revestimentos, concorda, mas avisa que, em geral, os materiais considerados de categoria A, quando em promoção, já estão fora de linha. "Nesse caso, se a pessoa fizer questão de levar, a orientação é para que compre, no mínimo, 5% a mais do que a quantidade demandada pelo projeto", orienta. De acordo com os profissionais do ramo, produtos de categoria B são provenientes de fornadas com pequenos defeitos, possuem qualidade mediana e apresentam diferenças no tamanho e espessuras. Para Adriano Costa, alguns estabelecimentos do mercado cometem equívocos que denigrem a imagem do segmento ao tratar, através do marketing promocional, produtos que deveriam chamar a atenção pela durabilidade, e não pelo preço. "Acredito que isso até seja inconsciente, fruto do desconhecimento de especificidades e tecnologia do produto por parte de equipes despreparadas", pondera.
SAIBA MAIS
CONFIRA AS RECOMENDAÇÕES DE PROFISSIONAIS PARA NÃO SE DEIXAR LEVAR PELA APARÊNCIA E PREJUDICAR A OBRA
* Mão-de-obra – para não correr riscos que prejudiquem o projeto, procure conhecer trabalhos anteriores dos profissionais contratados em que fora usado o mesmo tipo de material ou produto semelhante * Lembre-se – o assentamento de pastilhas exige boa capacitação.
* Não despreze orientação de profissionais, como arquitetos, engenheiros e decoradores. Além de imprescindíveis ao prosseguimento da obra, no caso dos engenheiros, podem indicar o material certo de acordo com as especificidades do projeto. Na dúvida, consulte o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-MG)
* Certifique-se de que o material adquirido possa ser adaptado corretamente às áreas secas ou molhadas
* Fique atento à categoria que indica a qualidade do produto do lado de fora da caixa
* Use de forma adequada os chamados materiais de bastidores, como a argamassa, por exemplo
* Antes de assentar os revestimentos, verifique se não há problemas com a tubulação hidráulica e se o reboco das paredes já está totalmente seco e curado.
Para isso são necessários, no mínimo, 14 dias