Diego Amorim - Correio Braziliense
07/02/2010 - Em êxtase com a notícia de que Brasília virou o segundo maior mercado do país em faturamento, os empresários do ramo imobiliário dizem que não há risco algum de bolha — quando os preços são tão inflacionados que chegam ao ponto de se tornarem insustentáveis. “O mercado não é maluco. Tudo o que colocamos à venda está sendo vendido. A cidade está crescendo, existe uma alta demanda, um financiamento abundante, não tem como falar em bolha”, diz Adalberto Valadão, da Ademi-DF.
O economista da Universidade Católica de Brasília (UCB) Adolfo Sachsida acredita que investir em imóvel será vantajoso pelo menos pelos próximos cinco anos no DF. Mas diz que há, sim, risco de bolha na cidade, apesar de achar que ela não deve estourar tão cedo. Para o professor, a alta demanda, a elevação dos preços e o sucesso de vendas nos lançamentos são indícios de bolha. “Além disso, as pessoas estão comprando por causa da valorização, e não pelo retorno do aluguel”, completa.
Bruno Bontempo, diretor da Markimob Incorporações, empresa que lançou o empreendimento em 2009, em que quitinete valia quase R$ 500 mil, desdenha a hipótese de bolha. “Isso é ilusão. Não existe quem compre imóvel em Brasília e perca dinheiro. Estamos realmente numa ilha”, comenta. “Se temos uma bolha, ela está longe de estourar. A demanda é infinita e a resposta de vendas está sendo excepcional”, acrescenta Fernando Maia, da Brookfield Incorporações.
A alta renda da população e uma demanda reprimida também levam Frederico Kessler, da Rossi, a crer que o crescimento do mercado de Brasília seja sólido. “É natural que o mercado se estabilize, mas sem dúvida já somos um dos principais do país”, diz. Na avaliação de Dilton Junqueira, da Brasal, o sucesso dos lançamentos tranquiliza o mercado. “O investidor é a primeira pessoa que sai do negócio quando sente que a bolha vai estourar. E isso não ocorre”, observa.
Aquiles Rocha de Farias, doutor em economia pela Universidade de Brasília (UnB), lembra que identificar bolha imobiliária não é tarefa fácil. “Se fosse, ela não aconteceria. Até o momento em que estoura, não dá para dizer se ela existe ou não”, comenta. No entanto, Farias alerta para o fato de o preço dos alugueis não estar acompanhando o dos imóveis. “Enquanto houver a valorização, o mercado se sustenta. Mas quando começar a pairar uma dúvida sobre isso, os investidores poderão perceber que não mais vale a pena”, argumenta.
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