Júnia Leticia - Estado de Minas
| Gladyston Rodrigues/Esp.EM/D.A.Press |
| Uma das melhores maneiras de minimizar os danos provocados por tempestades elétricas ainda é a instalação de para-raios com sistema de aterramento. Procedimento deve ser feito com ajuda profissional qualificada |
03/02/2010- A incidência de raios, comuns neste período do ano devido às tempestades de verão, poderá ser frequente, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De acordo com o órgão, as regiões Sul e Sudeste do Brasil são as mais propensas a receber descargas atmosféricas durante a estação, que vai até 20 de março. A incidência é comum no mundo todo, mas as regiões tropicais e subtropicais são as mais atingidas, segundo a professora de física dos cursos de engenharia civil e mecânica do Centro Universitário Newton Paiva, Lúcia Maria Batista. "Há, aproximadamente, 3,5 mil tempestades ocorrendo a cada instante ao redor do mundo e mais de 100 raios são produzidos a cada segundo", explica.
O Brasil é o país no qual se registra o maior número de raios, conforme a professora. "Por ano, cerca de 50 milhões de raios atingem o território brasileiro, como estima o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Inpe. É o dobro da incidência nos Estados Unidos, por exemplo. Os raios também foram responsáveis por 75 mortes no Brasil em 2008 - o recorde da década".
Entre os problemas mais comuns provocados pelos raios nas residências estão incêndios, destruição de estruturas, colapso na rede elétrica e queima de equipamentos eletrônicos, segundo explica o professor do Departamento de Engenharia Eletrônica e de Telecomunicação da PUC Minas e diretor da Kascher Engenharia, Ronaldo Kascher Moreira. "Também podem pôr em risco as pessoas do imóvel, caso este não tenha um sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) projetado e instalado conforme a NBR 5419", comenta.
O professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFMG José Osvaldo Saldanha Paulino destaca a importância de seguir as recomendações da NBR 5419 e instalar um bom para-raios. Ele explica que, em certos casos, a corrente não fica limitada à ferragem estrutural da edificação e pode circular pela tubulação de água, fios elétricos e de comunicação, além de canos de gás, provocando incêndios e queimando equipamentos. "Em casas, os danos e riscos são similares, mas um pouco maiores devido ao fato de estas edificações, pelo menos as de pequeno porte, terem pouca ferragem estrutural".
Como o raio é um fenômeno absolutamente imprevisível, tanto em relação às suas características elétricas como em relação aos efeitos destruidores decorrentes de sua incidência sobre edificações, pessoas e animais, a professora Lúcia Batista diz que nada, em termos práticos, pode ser feito para impedir sua queda em uma determinada região. "As soluções aplicadas buscam tão somente minimizar os efeitos destruidores a partir de instalações adequadas de captação de condução segura da descarga para a terra. A melhor forma de proteção é o para-raios".
Proteção
Dispositivo instalado nas edificações, o para-raios não atrai nem evita as descargas elétricas, como explica José Osvaldo Saldanha. "Ele apenas direciona para a terra um raio que iria cair sobre a edificação", diz. Conforme o professor, há, basicamente, dois tipos de para-raios. "Um deles é o Franklin, que é constituído de uma ponta metálica, um ou mais cabos e um sistema de aterramento. Para garantir uma proteção efetiva, este o modelo tem de ser instalado em um ponto mais alto do que a edificação".
Outro tipo é o Faraday, constituído de um conjunto de cabos metálicos que formam uma "gaiola" em torno da edificação. Ela, por sua vez, é ligada a um sistema de aterramento. "Esse tipo de para-raios é muito utilizado em edificações cujas dimensões e arquitetura impedem a instalação de equipamentos do tipo Franklin", diz o professor José Saldanha.
O objetivo do aterramento, é ligar o para-raios à terra. "Isso pode ser conseguido se enterrarmos algum objeto metálico e ligarmos o objeto ao para-raios", conta. José Osvaldo Saldanha alerta que se deve evitar fazer o processo perto de locais onde a circulação de pessoas é grande. "Quando a corrente do raio desce para a terra, ela provoca no solo a circulação de corrente elétrica. Com isso, uma pessoa que passe perto do terreno poderá tomar um choque. Recobrir o solo acima do aterramento com um piso de concreto é uma boa alternativa para reduzir os riscos".
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