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O direito à paisagem urbana


Elian Guimarães - Estado de Minas


Empreendedor deve estar atento às ações que farão com que as cidades sejam perenes no futuro. História tem mostrado que atitudes impensadas no passado produzem catástrofes no presente

Beto Magalhães/EM/D.A Press - 11/5/09
Estruturação urbanística e ambiental do projeto Vila Viva abrange seis aglomerados, visando a melhoria da qualidade de vida dos habitantes

Oitenta e cinco por cento da população mundial vive em áreas urbanas, onde estão as maiores concentrações de pobreza, desigualdade e desequilíbrio ambiental. Desde a Conferência de Estocolmo, na Suécia, em 1972 - a primeira tentativa mundial de organizar as relações entre o homem e o meio ambiente -, os governantes foram muito hábeis em produzir leis, mas inaptos a colocá-las em prática e torná-las políticas públicas e ferramentas de controle, regulação e ordenamento físico territorial do meio urbano.

As recentes catástrofes provocadas pelas chuvas em várias partes do país, inclusive em Belo Horizonte, levam à reflexão sobre a falta de educação ambiental para áreas contruídas, uma vez que, quando se fala em meio ambiente, logo se pensa em selva. Mas, como discutir o meio ambiente urbano dentro do conceito de sustentabilidade?

A seção mineira do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) definiu, para este ano, ações com o tema preservação do direito à paisagem urbana. O cuidado com o ordenamento urbanístico é uma proposta para evitar desastres naturais que assolam o cotidiano das cidades. "Isso, na realidade, não é uma resposta sem sentido da natureza. Esse tipo de tragédia é provocada pelo que o homem impôs de condição ao ambiente urbano, é uma consequência", afirma a presidente do instituto, Cláudia Pires.

Leia a continuação desta matéria:
Harmonia para crescer

Segundo ela, o empreendedor, o arquiteto e o consumidor de arquitetura devem estar atentos às ações que, de fato, farão com que as cidades sejam perenes no futuro. A história tem mostrado que atitudes impensadas no passado produzem catástrofes no presente.

Belo Horizonte, planejada em 1897, estava programada para abrigar uma quantidade X da população, que se multiplicou 10 vezes em um século. De acordo com Cláudia, a cidade sofre muito com os efeitos da omissão do poder público em investimentos contínuos na preservação de ambiente e da falta de desenvolvimento de uma cultura que perceba a relação do homem urbano com o espaço onde ele vive.
Gladyston Rodrigues/Esp.EM/D.A.Press
Para a presidente do IAB, Cláudia Pires, questão estética não é luxo. É preciso ver os impactos que a obra pode causar ao meio ambiente

É uma cidade com miolo planejado e problemas periféricos de toda ordem, que sofre os efeitos do fenômeno metropolitano. "As enchentes do Arrudas, por exemplo, não são provocadas pelo morador das margens do rio. O impacto vem do entorno e repercute no alagamento que ocorre dentro da capital, destruindo lares inteiros. É preciso perceber a causa central desses impactos".

ÉTICA

Cláudia reconhece que, a partir de 2003, houve avanços na política de prevenção de catástrofes, que são os planos municipais de redução de risco. São ferramentas que, por si só, não vão resolver, mas, pelo menos, norteiam o poder público sobre as principais atitudes a serem tomadas para combater um mínimo de perigo. "Passa por uma leitura da cidade, do planejamento urbano, medidas educativas e profiláticas e não só o cerceamento do direito de construir, que algumas vezes deve ser considerado, mas, na realidade, deve abranger a questão do meio ambiente como ação política em prol de uma sustentabilidade sistêmica da terra no futuro. Ela é preventiva e os arquitetos têm muito o que falar sobre isso e precisam ser ouvidos. A questão estética não é um luxo. A visão de uma cidade vai repercutir na dinâmica de desenvolvimento, como turismo, cultura. Toda vez que se fala de turismo fala-se de uma paisagem urbana bem consolidada".

A responsabilidade não é apenas do poder público, mas de todos. O empreendedor no mercado imobiliário também precisa pensar qual o impacto coletivo que a sua medida individual causará no entorno, no meio ambiente urbano. É o primeiro pressuposto em que deve se balizar. É uma atitude ética.

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