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Júnia Leticia - Estado de Minas


Para garantir acessibilidade, conforto e durabilidade às calçadas é preciso contratar serviço profissional qualificado e seguir leis

Gladyston Rodrigues/Esp.EM/D.A.Press
O professor da Fumec Jacques Lazzarotto diz que passeios têm de ter pelo menos duas faixas: uma livre, para circulação de pedestres, e outra de serviço, próxima à rua

O uso de material de qualidade não garante resultado satisfatório no que se refere às calçadas. O alerta é feito pelo engenheiro civil Flávio Capuruço. "Não adianta utilizarmos um excelente material se esse for assentado em uma base inadequada, pois, com o tempo, haverá uma série de patologias, tais como afundamentos e quebras das peças, que afetam sua durabilidade e utilização".

Segundo ele, existem critérios mínimos a serem respeitados, como espessura e resistências à abrasão e à compressão, no caso de utilização de materiais à base de concreto. A arquiteta Sílvia Gondim acrescenta que é imprescindível que o material utilizado garanta, ainda, uma superfície contínua. "A prefeitura veda o uso de mosaico tipo português em logradouros com declividade superior a 10% e pedras polidas, marmorite, cerâmica lisa e cimento liso", explica.

O engenheiro civil Otávio Nascimento diz que a calçada começa nas camadas de solos, com preparo e compactação adequada. Há casos em que é necessário substituir material de base. "Posteriormente, deve sempre ser aplicada uma camada de concreto magro e, depois, uma de piso, que deve ser em concreto com resistência superior a 20MPa (200 quilogramas-força por centímetro quadrado). Sobre essa superfície podem ser colocadas placas de piso ou mesmo aplicar acabamento ao concreto".

Placas pré-moldadas, bloquetes intertravados de concreto, ladrilhos hidráulicos, concreto vassourado ou estampado, que podem ser pigmentados para melhor apelo visual, são outros recursos citados por Flávio Capuruço. "Existem, ainda, as calçadas verdes, nas quais é usada cobertura vegetal em conjunto com esses materiais", diz.

De acordo com ele, o importante é verificar qual a utilização do imóvel e da calçada - trânsito de pedestres e/ou de veículos -, porque há especificações técnicas para cada material. "Um profissional devidamente habilitado saberá especificar o material a ser utilizado e sua correta aplicação", completa Flávio Capuruço.

Conforme Otávio Nascimento, deve-se levar em conta as condições de uso e solicitações do passeio na hora de escolher. "Belo Horizonte é uma cidade muito acidentada e, consequentemente, as calçadas também. Então, o coeficiente de atrito sempre deve ser levado em conta, conforme tabela", fala o engenheiro.
Gladyston Rodrigues/Esp.EM/D.A.Press
O engenheiro civil Otávio Luiz do Nascimento explica que uso de argamassa é um dos erros mais comuns, por causa da baixíssima durabilidade

No caso de placas pré-moldadas, bloquetes intertravados de concreto e ladrilhos hidráulicos, Flávio Capuruço recomenda sempre adquiri-los de indústrias que cumprem os requisitos mínimos estabelecidos pelas normas técnicas vigentes. "A Associação Brasileira do Cimento Portland (ABCP) tem um programa, o Selo de Qualidade ABCP, que certifica essas indústrias e deve ser consultada".

ESPAÇO

Com relação a plantas e forrações, Jacques Lazzarotto diz que seu uso deve ser feito em áreas reservadas para essa finalidade. "Uma calçada tem de ter pelo menos duas faixas: uma livre, onde os pedestres circulam, e a outra de serviço, localizada junto ao leito em que os carros circulam e destinada a mobiliários urbanos, como lixeira, telefone público, postes, semáforo, rebaixo para travessia de pedestres, ponto de ônibus, entre outros".

Na faixa de serviço pode haver vegetação. Entretanto, conforme o arquiteto, as plantas e forrações não podem conter espinhos, ser venenosas, ter galhos entre 60cm e 2,10m do piso acabado, invadir a faixa livre, soltar seiva, frutos, folhas, sementes, entre outros, que tornem a faixa livre escorregadia ou insegura.

Para isso, é necessário sinalizar a obra, proporcionar circulação segura para os pedestres. Segundo Nascimento, é preciso avaliar a declividade, observar o acesso durante a obra e solicitar licenças para intervenção em área pública. "O custo da obra fica em torno de R$ 80 o metro quadrado (m²), com material mais simples, podendo chegar a cerca de R$ 400 o m² com placas de rocha e outros materiais de acabamento de custo mais elevado".

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