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Tubos suportam até 60 toneladas


Humberto Siqueira - Estado de Minas


Além de reforçar estrutura do prédio, microestacas podem ser utilizadas em imóveis que vão receber acréscimo em seu peso, como a construção de um novo andar ou elevador

A técnica desenvolvida pelo engenheiro Pedro Elísio da Silva, em 1983, só agora vem ganhando espaço e reconhecimento no Brasil, embora já tenha sido prestigiada nos Estados Unidos e Europa. Consiste no uso de microestacas para reforçar fundações com problemas ou em imóveis que vão receber um acréscimo em seu peso, como um novo andar ou um elevador. A rapidez no serviço, economia, baixo nível de ruído e capacidade de suportar até 60 toneladas por estaca são algumas das vantagens apresentadas.

As microestacas são tubos de aço que, associados com nata de cimento injetada em seu interior, permitem, por meio de perfurações em pontos estratégicos, a obtenção de um recobrimento externo de argamassa que cria aderência entre o solo e a estaca e, ao mesmo tempo, protege o elemento de fundação contra corrosões. Proporciona um aumento do atrito lateral do empuxo passivo dos solos. Como a estaca é cravada à percussão, para, em seguida, ser injetada, conseguem-se diversas vantagens sobre outros tipos de fundações.

As principais aplicações das microestacas são possibilidade de cravação em praticamente qualquer tipo de solo, cravação em locais de difícil acesso, reforço de fundações e estruturas de contenção atirantadas. "Se uma rede de água estourou e levou o solo logo abaixo de um edifício, podemos aplicar ali a microestaca, que fará o papel de sustentação, que antes era do solo. Cada estaca cravada passa a sustentar, imediatamente, 20 toneladas. O serviço demorou para se tornar conhecido, mas atualmente a demanda é altíssima. E, como patenteamos o processo de cravação, somente a Arcos Engenharia pode trabalhar com ele", afirma Pedro.

Os elementos utilizados são encontrados com muita facilidade no comércio de tubos, criando flexibilidade na sua aquisição e, dessa forma, evitando o problema que encontramos no mercado de estacas pré-moldadas ou perfis metálicos, em que ficamos sempre à mercê de dois ou três fornecedores. O transporte dos tubos pode ser feito por caminhões de pequeno porte, baixando o custo dos carretos, bem como do manuseio, carregamento e descarregamento, que não exigem guinchos ou guindastes.

RAPIDEZ

Na maioria das vezes, o serviço pode ser feito com pouca ou nenhuma alteração na rotina do edifício. Em média, os trabalhos duram entre 10 e 15 dias. "Dependendo do solo, conseguimos cravar até 10 estacas num dia. Se for muito duro, três ou quatro", conta Pedro. "As microestacas funcionam dando sustentação. É como se uma pessoa fosse escorregar e outras duas chegassem uma de cada lado, segurando esta pessoa. As microsestacas chegam às pilastras na fundação do terreno pelos lados. Depois, injetamos calda de cimento sob alta pressão e elas passam a dar a sustentação que estava faltando", compara.

A técnica proporciona alta produtividade, garantida pelas emendas especiais. Dispensa solda, limpeza no canteiro de obra, possibilita execução de estacas inclinadas e horizontais (tirantes) e proporciona grande capacidade de carga para seu pequeno diâmetro.

As microestacas podem ser acopladas, sendo uma cravada sobre a outra. Elas permitem fazer um bloco de concreto armado, que se apoia nas microestacas e envolve os pilares já existentes, travando o movimento vertical do prédio. "Entre as técnicas existentes, creio ser a melhor. Existem outras formas de corrigir esse tipo de problema, mas levam até sete meses, o que faz os custos subirem demais", ressalta Pedro. "Não podemos deixar de mencionar a economia proporcionada pelo produto. Me limito apenas a afirmar que os custos para os clientes chegam a atingir um valor menor de até 50% em relação ao mercado de execução de microestacas convencionais", completa.

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