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Joana Gontijo - Lugar Certo
Novas propostas diminuem o custo de construções voltadas para a população de baixa renda, aliando agilidade e sustentabilidade
| Gladyston Rodrigues/AO CUBO Filmes |
| Maria Marcira, moradora do conjunto habitacional Paulo Gaetani, em Nova Lima: Aqui eu estou feliz por encontrar o meu lugar |
Diante de um déficit passado de quase 8 milhões de moradias no Brasil, e a demanda futura de formação de mais 27 milhões de novas famílias até 2023, o país enxerga a urgência em criar condições mais favoráveis de habitação para a população de baixa renda. O dado dá conta de pessoas que moram em situação de coabitação, sem nenhuma infra-estrutura, não têm como garantir financiamento da casa própria, ou que o aluguel representa mais de 30% do salário.
Por isso, governos federal, estaduais e municipais já começam a trabalhar em propostas para um plano global para a área, com foco na habitação de interesse social. Associações, empresas, entidades de classe e outros órgãos desenvolvem projetos alternativos às obras de alvenaria comum, para baratear e otimizar o tempo de construção das casas voltadas para esse segmento social, aliando tecnologia e sustentabilidade, em iniciativas que já integram os programas governamentais nesse sentido. Blocos modulares de concreto, cerâmica, ou de aço são usados como matéria-prima em técnicas ainda pouco difundidas, mas que se consolidam como boas opções para o problema da moradia.
A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) desenvolveu a casa 1.0, construída em alvenaria modular de blocos de concreto, com paredes paginadas e auto-portantes, batizada assim em alusão ao carro popular, pelo baixo custo e a rapidez na conclusão das obras, como explica gerente regional da ABCP, Lincoln Raydan. "Os blocos são vazados internamente. Então, as paredes são erguidas já com a tubulação de água, esgoto, a fiação elétrica, de telefone, e com esquadrias metálicas que montam as portas e janelas", diz, frisando o processo racional, sem quebra da alvenaria, e por isso sem desperdício e resíduos, de maneira ecologicamente correta.
Em terrenos já urbanizados, o custo desta casa fica em cerca de R$ 10 mil, com a preocupação de serem instaladas em bairros que ofereçam toda a estrutura necessária para as famílias menos favorecidas. "Também fazemos capacitação da mão-de-obra e dos fabricantes dos blocos", ressalta Lincoln.
A casa 1.0 tem em média 37 metros quadrados, dois quartos, sala, cozinha, banheiro, área de serviço e circulação, e está presente em mais de 60 municípios mineiros com 2,6 mil unidades construídas. "Agora, substituímos os blocos de 11,5 cm para os de 9 cm, porque estes têm maior oferta no mercado do interior", completa o gerente da ABCP.
| Renato Weil/EM/D.A PRESS |
| Conjunto Habitacional do Lares Geraes em Betim |
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